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Brasil campeão em lançamento de produtos?

Essa manhã eu me surpreendi com essa matéria da PEGN, que diz que o Brasil é o segundo país que mais lança produtos atrás da China, conforme estudo realizado pela ESPM.

Supondo que esse dado esteja correto, já que eu admito certa descrença com relação a que metodologia torna possível o tracking de lançamentos globalmente, concluo que nós profissionais de Marketing brasileiros estamos indo para um lugar muito ruim.

A taxa de sucesso em lançamentos, que já era muito pequena há anos atrás, hoje está preocupante. Em bens de consumo 52% das novas marcas e 75% dos SKUs falham. No Japão, um caso extremo, 9,7 em cada dez produtos lançados não sobrevive. Não há números específicos para o Brasil.

Lançar novas marcas ou extensões de linha é assunto delicado onde claramente nos últimos anos a regra tem sido errar. Como alguém que faz parte da indústria de branding, posso afirmar com muita segurança que a média dos empresários brasileiros não se importa nem com marca nem com diferencial/posicionamento. Há sim, um grupo de profissionais e empreendedores que estão trabalhando em cima de razões sólidas para que os consumidores escolham suas marcas. Mas são a exceção.

No Brasil, sofremos um Lake Wobegon Effect coletivo. Nos vemos como uma *nação criativa* e nos achamos *mais inteligentes, criativos e interessantes* que a média. Nesse caso, eu posso abrir minha lojinha de roupas semelhantes a outras vinte, que a minha mão mágica e o meu olhar farão a diferença. Ouvir o consumidor só existe nas empresas de grande porte. Nos pequenos e médios negócios, que são a maioria em qualquer nação, o máximo que se vê é um trabalhinho de design, que ilude o empreendedor de que ele está se diferenciando.

É necessário que se ouça o consumidor antes de lançar novos produtos. Que se ofereça algo que não há por aí, ou o fracasso é só uma questão de tempo. É necessário que deixemos de achar que é uma questão de criatividade quando é uma questão estratégica. E é importante que nos rendamos aos números.

Ainda não somos um país que está desenvolvido no quesito desenvolvimento de grandes marcas. Apesar de termos algumas espetaculares marcas. Mas enquanto acharmos que ouvir o consumidor e o shopper é desnecessário (*já sabemos o que ele pensa, fizemos um focus group no começo do ano passado*) e que investir em fazer contato com o core da marca é *etéreo*, no mínimo podíamos parar de lançar tanto produto. Não?

Ser fã num mundo online

Artigo super interessante , link que eu vi no Murketing sobre como a internet tem facilitado a vida dos fãs de música. A capacidade de armazenamento de informação tem colaborado não só para a música, mas pra quase tudo. Você acha facilmente detalhes sobre cineastas, pintores, o acervo de museus.
É fácil se informar e se conectar com qualquer paixão.

Product placement funciona?

O Martin Lindstrom, no grande estudo usando fMRI que foi sumarizado no Buyology (já mencionado nesse blog) diz que em alguns casos sim. Ele estudou as três marcas que patrocinam o American Idol e concluiu que enquanto para a Coca funcionou muito bem, para a Ford até atrapalhou um pouco.

Explico. A Coca está perfeitamente integrada na *história* do show, e em lugares que fazem sentido. E como funciona bem essa integração, acaba prejudicando as outras marcas que fazem aparições meio forçadas.

Eu me lembrei disso essa manhã, porque a cada dia aumenta a lista de marcas que fazem placement nos grandes sucessos de Hollywood. Confira você mesmo nessa lista. Vejo dois efeitos. Um que é impossível integrar tantas marcas em uma história sem que ela mude, portanto algumas vão ter resultados, mas a maioria vai apenas rasgar dinheiro. Segundo, no efeito Ford no American Idol, quando uma marca faz uma boa integração, as demais saem prejudicadas da história (com uma intenção de compra menor do que entraram).

Resumindo, um péssimo lugar para as marcas, especialmente com a lista de marcas participantes crescendo.

Lições de marca do American Idol

A season 8 do American Idol está aí e é interessante ver que um bom número de boas vozes não passa para a frente, sendo substituídos por vozes menores que tem bons personagens. Igual a vida real no mundo das marcas…

Desempenho é importante sim, mas pequenas nuances de desempenho passam despercebidas quando há drama, uma boa história de marca, quando há ritual.

Mesmo quando só há os quatro juízes,e ainda não impera a sabedoria das massas, ainda assim, ficam aqueles que prometem uma existência mais interessante no programa.

Sua marca anda focada só em desempenho ou você pode dizer que ela tem uma persona ou uma história de marca que façam valer a pena promovê-la para a próxima fase?

Neuromarketing em Serviços

No processo de buscar uma academia de ginástica em São Paulo, me diverti vendo como lições simples de Neuromarketing podem ser aplicadas no setor de serviços.

Academia bem sucedida é aquela onde muitos alunos se matriculam e muitos continuam. E para continuar o aluno tem que estar gostando, mas o mais importante é ver o resultado. Eu posso dizer que já fui assídua frequentadora de academia e como tal eu conheço um bocado o meio, mas dessa vez tive uma experiência muito diferente.

O famoso *tour* pela academia antes de dizer planos e preços já é neuromarketing, porque esse tempinho já faz com que o cliente receba o preço em um outro momento e já se sentindo ali, um movimento análogo ao desse estudo que mostra como aumenta o desejo de comprar depois que seguramos um artigo em uma loja.

Mas dessa vez, eu tive cinco compromissos agendados, e não aconteceu a famosa *enrolada* da avaliação física. O professor sentou comigo por meia hora, fez perguntas, anotou fatos e medidas e chegamos a um plano juntos. Sorriu muito. Estabeleceu uma conexão. Se eu não aparecer na academia, vai me mandar sms e me deixar envergonhada com a minha falta de compromisso.

No final, me encorajou a me apresentar para os professores sempre que for fazer aula com alguém que não conheça. Ou seja, aumentar o número de laços e de motivos para voltar lá continuamente.

Essas sutis diferenças aumentam os resultados. Mais tarde, chequei e vi que esse é um programa internacional e essa academia é licenciada. Clever. Não sei dizer se quem montou estava ciente de estar usando os aprendizados mais recentes do Neuromarketing (cujos principais estudos tem 5 anos ou menos) ou se apenas compilaram aprendizados sobre como manter a galera na academia.

Mas já me deu um milhão de idéia sobre roteiros de venda para quem tem pdv próprio…

Ah! Não deixe de ler Buyology, do Martin Lindstrom, para mais nesse assunto.

100,000 dólares por segundo…

Ontem à noite foi o SuperBowl e 33 marcas pagaram a bagatela acima para anunciarem para a maior audiência americana. Há alguns (poucos) anúncios bons e  que constroem em cima de uma mensagem de marca relevante e diferenciada (como o do Monster.com), mas a maioria é apenas entretenimento… Dá até uma certa tristezinha assistir.

Eu lembro que quando era Brand Assistant, mais ou menos um mês depois do SuperBowl, íamos ao lindo auditório de alguma de nossas agências louvar a criatividade dos anúncios. Hoje, tudo diferente… Todos os anúncios podem ser assistidos  imediatamente após a exibição aqui. E, sem risco de soar arrogante, não tem mais nada ali para nenhum profissional de Marketing aprender hoje em dia. Eram tempos divertidos, but they are so over…

De volta

Eu voltei de Londres e já engatei em uma série de viagens, reuniões, apresentações de trabalho e obrigações familiares e confesso que esse é o primeiro dia desde que pisei de volta em terra brasilis em que consegui relaxar e sentar calmamente. Aproveitei a manhã para levar as meninas ao ótimo Museu da Língua Portuguesa, e lembrar do quanto brinquei no Parque da Luz quando era criança. Delícia.

A viagem a Londres foi muito inspiradora e voltei cheia de energia e planos. Assisti na TV a falada campanha da seguradora Norwich Union, que fez um rebranding para Aviva,  com Bruce Willis, Ringo Starr e Elle McPherson (boa). E estive nas duas galerias (e mais uma dúzia de outras!) de uma das minhas marcas do coração, Tate, marca criada pela Wolff-Olins. E claro que curti muito tudo que é inglês, como pub, Guinness, Fish&Chips, Jeremy Clarkson, Top Gear, BBC, QI e companhia.

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Comprei muitos livros que infelizmente estão empacotados em um depósito, mas prometo comentá-los em algumas semanas quando estiver de novo com eles…

E amanhã, de novo, começa a correria total, com direito até a volta às aulas das minhas meninas.

Feliz 2009!

 

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London Eye... Hoje :)

New look

Pois é, a 32 bits, escritório de design amigo e amado e parceirão desde sempre, acaba de repaginar o site e os blogs da Brandgame. Prometo voltar aqui e postar assim que acabarmos um campo grande que temos que terminar… Verdade… Tá, talvez demore um pouco mais. Hehe

Al Ries sobre Obama

Sob o risco de estar monotemática hoje, recomendo o brilhante artigo do Al Ries, na Advertising Age sobre o que nos podemos aprender sobre Marketing com a campanha de Barack Obama, o Marketer of the Year.

O mais interessante para mim foi ver um caso extremo do poder do reframing. Um dos fatores decisivos na vitória de Obama foi reinventar as regras do jogo, o coração da nossa filosofia aqui na Brandgame. Nas palavras do Al:

 ”If you’re losing the battle, shift the battlefield” is an old military axiom that applies equally as well to marketing. By his relentless focus on change, Mr. Obama shifted the political battlefield. He forced his opponents to devote much of their campaign time discussing changes they proposed for the country. And how their changes would differ from the changes that he proposed. 


All the talk about “change” distracted both Ms. Clinton and Mr. McCain from talking about their strengths: their track records, their experience and their relationships with world leaders. 

Transformar essa eleição numa batalha sobre MUDANÇA e não sobre QUALIFICAÇÃO e EXPERIÊNCIA aumentou as chances de Obama, pois nesse campo não havia discussão, ele era A escolha… E partiu de um amplo entendimento do momento americano e da instisfação geral.

Hoje tiro o chapéu para o Barack, e desejo que no melhor estilo Gandhi, ele seja a mudança que deseja ver no mundo. E que mantenha sua promessa.